domingo, 8 de janeiro de 2012

Novos pontos.

Um ponto.
(Adriano Mariussi Baumruck)

Um ponto
Solto no
Papel
É um
Universo
Novo para
Quem lê
.

sábado, 31 de dezembro de 2011

FELIZ ANO NOVO!!



Gostaria de desejar aos leitores do "Que letra é" um excelente ano novo e agradecer pela companhia de vocês nesse ano que está acabando!

Muito obrigado à todos que leram e comentaram! E feliz 2012!

(Volto na segunda semana de Janeiro!)

Atenciosamente.
Adriano Mariussi Baumruck

  

sábado, 12 de novembro de 2011

Fragmentos - 2.

Sem título.
(Adriano Mariussi Baumruck)

Primeiramente eu a agarrei. Coloquei minha mão junto do lenço que ela carregava amarrado em seu pescoço e fui torcendo-o. Ela sempre teve um ótimo gosto para roupas. Era uma mulher de classe.

Logo ela foi para o chão. Montei sobre ela e pude me posicionar melhor. Pude ver seu rosto melhor. Olhei-a nos olhos e fixamente continuei meu serviço. Sobre a mesa meu jantar estava quente, porém, esfriava.

Posicionei-me melhor. Aqueles olhos verdes eram cortinas abertas, arregalados, arregaçados, deixando transbordar toda a alma de uma artista que se esvaia, porém, não era desesperada. Ela estava calma.

Certa feita ela pintou um quadro sobre nós dois. Era um quadro bastante simples sobre um casal que se beijava. Não possuía cenário e apresentava-se com poucas cores: o homem apresentava-se de maneira passiva enquanto a mulher, de maneira sórdida. Foi a única vez que ela fez isso.

A garrafa de uísque reluzia sobre a mesa, meu cigarro tornava-se cinzas no cinzeiro que ela me dera e "As flores do mal" estava aberta junto deles. Minhas mãos corriam por seu pescoço, destroçando-o, e as dela seguravam meus pulsos, me impedindo de interromper minha tarefa antes de concluí-la.

Ela respirava sobre minhas pernas. Cada vez menos... menos... menos...
Seus olhos fecharam-se e o que antes era uma figuração pacífica tornou-se horroroso e digno de pena. Era agora um animal morto e inútil. Uma carcaça completamente descartável, que sujava todo meu gabinete. Não havia sangue, mas havia um corpo que decompunha-se à olhos nus.

Levantei-me, afastei-me e bati minhas mãos algumas vezes nas calças. Jantei vagarosamente e ouvi Miles Davis após o jantar, enquanto eu submergia no uísque. Não sentia direito o fedor do corpo podre, pois esse se confundia com a lembrança do cheiro da costela e de meu cigarro. Tragava meu último cigarro assim como eu fora tragado por ela.

Andava pelo meu gabinete inquieto e infeliz, quando subitamente apaixonei-me pela figura deitada no chão. Deitei-me junto dela e sobre seu braço eu me aconcheguei. Não teria novamente aquela mulher. Chorei, e após ter chorado como uma criança medrosa que perde seu mais valioso brinquedo, eu adormeci.

Minha cabeça e meu corpo estavam deitados no assoalho frio daquele lugar. Bem que alguém poderia ter entrado lá, visto a cena e amaçado minha cabeça com um paralelepípedo, mas infelizmente não ocorreu.

Eu aproveitava a última vez que estaria junto dela. Adormeci profundamente, porém, não foi um sono com sonhos ou pesadelo, foi pior. Foi um sono vazio, onde o corpo não descansa e a mente trabalha compulsivamente. Nada vinha à minha mente, mas eu podia sentir que ela respirava junto de meu rosto.

Passado um longo tempo e com o meu corpo todo dolorido eu acordei. Não me lembro direito do que ocorreu, mas toda a louça estava lavada, minha cigarreira estava arrumada junto de meus livros, minha garrafa de uísque continuava pela metade , mas ela não estava mais lá. Fazia frio. Coloquei meu casaco e no bolço encontrei um bilhete que dizia:

“O homem louco se suicidou. Com amor”.



domingo, 30 de outubro de 2011

Blow up.

Depois daquele beijo.
(Adriano Mariussi Baumruck)

Depois daquele beijo
Eu fui para casa,
Tomei um café na padaria,
Comprei o peixe para o almoço
E segui.

Depois daquele beijo
Eu tomei banho,
Vi as putas na esquina
E até conversei com uma delas.

Depois daquele beijo
Eu fiz meu almoço,
Comi o peixe, bebi cerveja,
Dormi a tarde toda
E a noite eu conversei comigo.

Depois daquele beijo
Ainda era sexta feira,
Ainda era cedo,
Ainda havia tempo para mais um beijo,
Mas não houve.
Eu segui.

Depois daquele beijo
Eu aproveito o resto do chiclete,
Mastigo o tempo
E o jogo fora.
Passo a língua nos lábios
Procurando o vestígio
De tudo o que passou
Em um tempo mais aproveitado.

Cuspo o chiclete fora,
Compro o jornal, o cigarro
E sigo.

Mesmo vendo-a todo dia,
Quando a terei de novo
Com mais tempo?

Quem sabe...

domingo, 9 de outubro de 2011

Além verso!

Para além.
(Adriano Mariussi Baumruck)

Para além da língua;
Para além do beijo;
Para além da fala,
É para lá que eu vou.

Para além dos dedos;
Para além das mãos;
Para além dos braços,
É para lá que eu vou.

Para além das mentes hipócritas;
Para além das bocas secas;
Para além das vidas mortas;

Para além das caras tortas;
Para além dos olhares tortos;
Para além dos seres tortos.

É para lá que eu vou!

- porém, quando nada mais fizer sentido:

Eu vou para além do grito;
Eu vou para além da pedra;
Eu vou para além da perda;
Eu vou para além da dor.

Eu vou para além da carne;
Eu vou para além da alma;
Eu vou para além do trauma;
Eu vou para além de Deus.

Eu vou para além dos homens;
Eu vou para além dos pássaros;
Eu vou para além dos tempos;

Eu vou para além das normas;
Eu vou para além das formas;
Eu vou para além dos versos.

É para lá que eu vou!


domingo, 18 de setembro de 2011

Fragmentos - 1.

Sobre cafés e cigarros.
(Adriano Mariussi Baumruck)

Quando entrei, logo senti o cheiro forte de café e nicotina que empesteava o local. Era uma espelunca escondida em um subsolo de um prédio. Um dos poucos lugares que ainda se podia fumar sem ser atormentado.

Dentre algumas mesas de toalha xadrez encontrei-o. Fui até ele e sentei-me. Quando cheguei ele estava sentado curvado sobre a mesa. Acendia mais um Marlboro vermelho e logo foi me dizendo:

- Se quiser pedir alguma coisa, vá de café... a comida daqui é uma bosta! Deu uma longa tragada no cigarro e repousou a mão entre o maço e as xícaras de café que estavam sobre a mesa. Deviam ser umas cinco ou seis, não me lembro ao certo.

- E ai, o que vai querer? Disse uma moça que estava de pé ao meu lado. Quando olhei para cima não me lembro de ter visto seu rosto. Aquela fumaça o cobria. Pedi um café e ela se afastou. Todo aquele lugar me fazia tomar um fôlego poluído e de difícil compreensão. Estranhamente, ele me era muito agradável.

Posicionei-me melhor na cadeira e pergunte:

- Posso pegar um? Disse eu apontando para o maço vermelho de cigarros. Você fuma? Não, eu respondi. Ele arrumou-se, jogou seu tronco para frente e dando-me um cigarro falou:

- Sabe de uma coisa ? ... cigarro não mata... não... não mata. O que mata é stress, contas para pagar, assaltos e Derby. Isso sim mata, o resto... não. Olhei espantado para ele e com um riso meio atravessado continuou. Gainsbourg fumava Gitanes. Viveu sessenta anos e morreu de ataque cardíaco. Tá bom que o filho da puta fumava desgraçadamente, porém, só comeu mulher gostosa a vida inteira. Ele bem que poderia ter morrido de alguma doença venérea, mas se foi o cigarro, paciência, coincidências acontecem...

A moça se aproximou e colocou a xícara sobre a mesa. Olhei seus olhos e pude reparar que lindos olhos verdes ela tinha. Olhei-a por um longo tempo.
-Gostou dela? Disse ele. Sim... é muito bonita. Thalma tem muitos artifícios, além de fazer um ótimo café. Esse tipo de mulheres têm muitos pontos comigo, disse ele completando.

Eu não costumava fumar, mas já estava indo para o meu segundo cigarro. O tempo passa muito depressa quando temos uma boa conversa. É fato que eu mais ouvi do que falei naquele dia. Gosto de conversas assim. Acredito que minhas opiniões não são muito interessantes. Acendi mais um.

No fim eu acho que me acostumei ao lugar. Era tanta fumaça; era uma realidade bem particular. Parecia um daqueles filmes em preto e branco que recorta um momento do cotidiano e o expõe, sem explicação, nem começo, nem final; apenas o corte exposto, sangrando e pulsando.

As pessoas se desenvolviam em estereótipos diferentes, tentando sempre se defender dos olhares hostis. Quem nunca tentou fazer isso, se esconder por detrás de uma cortina, tentando passar como despercebido, como normal? Quem nunca fez isso?

Sei que quando eu sair por aquela porta, após subir esses degraus e me despedir desse velho amigo, nada mais disso existirá. O cigarro se apagará e tudo voltará a realidade. Sobrará somente o cheiro e um leve torpor; o coração batendo à mil e a realidade. Por isso, continuo aqui fumando, tomando meu café, vendo o tempo passar e meus pensamentos se embaralharem, além de fazer parte desse prazeroso monólogo.

domingo, 4 de setembro de 2011

para uma semana de folga.

Minha cesta.
(Adriano Mariussi Baumruck)

Estou largado ao sol.
Nada acontece
E o tempo teima em passar.

domingo, 21 de agosto de 2011

Pensando...

Vou pensar.
(Adriano Mariussi Baumruck).

Vou pensar
Na solidão das horas que não passam;
Vou pensar
Na confusão das vidas que me olham;
Vou pensar
Nas lembranças que de novo me matam;
Vou pensar
Em todos aqueles que me descartam
Me cospem
E me amam.

Vou pensar
Nas palavras que da boca não saem;
Vou pensar
Nas mentiras infindas que me esmagam;
Vou pensar
Em todas as mãos que não se tocam;
Vou pensar
Em todas as bocas que me falam
Me cospem
E me amam.

Vou pensar
Em todos os braços solitários;
Vou pensar
Em todos os corpos solitários;
Vou pensar
Em toda a minha incapacidade;
Vou pensar
...
-Não!!
Vou cuspir.
Vou amar.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Cigarros e amigos!

Entre amigos e cigarros.
(Adriano Mariussi Baumruck)

Meus amigos vão,
Meus amores vão,
Mas meu cigarro não.

Meus amigos me completam,
Meus amores me traem,
Minhas ideologias, idem.

Meus amores me traem,
Me tragam
E me matam;
E meu cigarro, também.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Depois das férias...

No fim das horas.
(Adriano Mariussi Baumruck).

Atualmente tenho estado muito doente. Acredito sofrer de um mal comum à maioria dos habitantes desse século, onde imersos em um aparato tecnológico imenso, vemos as horas passarem rapidamente, em superlativos maiores ainda, caindo pelo infindo penhasco da existência, enquanto nós, na frente das maravilhosas máquinas, vegetamos.

Por sua vez, quando temos algum tempo longe de tais tentáculos tecnológicos, ponderamos com um certo pesar tudo o que passou, e concluímos que faltou dia no final das horas.

Um sinal claro dessa agonia que me cerca - e a todos - , é uma sucessão de estranhos acontecimentos que tenho presenciado. Tais fatos brotam dentro de meu corpo e de lá não saem, ficam vagando naquele território já conhecido e, por consequência, me atormentando; porém, refletem-se por tudo o que me rodeia.
Ao menos uma vez ao dia sou acometido por um enfadonho e clichê pensamento depressivo que corta meu dia de maneira lenta e cega. Dolorida. Posso reparar que em certas ocasiões tal pensamento se estende por dias e semanas.

Devo destacar que fato contrário também ocorre, pois quando sigo de maneira cinza e despretensiosa com as minhas tarefas, vejo-me logo regozijando em meio a uma gama infinda de matizes alucinógenos de cores que entram rasgando meu peito, animando-me por horas.

Levando em conta essa alegria repentina, ou essa depressão - tão repentina quanto - , acredito que tais sensações, distúrbios, percepções, ou seja lá que nome queiram dar, nos são dados por algo maior, funcionando como uma espécie de bálsamo proporcionado por uma falta de tempo pungente e aterradora, fazendo-nos concluir que a vida é algo efêmero e inconclusivo.